PERGUNTE A NÓSFERA

18.6.08




Expectativas furadas

Às vezes parece que vai acontecer um monte de coisa legal, bacana e revolucionária.
Ai num dia a gente cria uma puta expectativa, faz 1000 planos, sonha, nem dorme e pá.
Acorda!
Como um balde, um balde gigante de água fria desaba sobre seus desenhos de bic azul no papel reciclado, e detona tudo.
Frustra todos os planos.
A gente chora, fica triste e o caralho a quatro.
Fingi que não se importa, mas sabe que ta se importando e muitíssimo.
Ai junto com isso vem àquela sensação de fracasso gigante, sabe aquela coisa, tipo futebol, que bate na trave nos 40 minutos do segundo tempo, e num entra na rede, sabe? Tipo assim.
Ai vem àquela sensação de invisível, vem à tona esse sentimento sempre latente.
Tinha um amigo, que dizia que atenção ou a gente ganha ou não tem, que não se pede. Então ta né.
Não peço nada, fico sempre pensando em um milagre.
Esperando o milagre, que nunca chega, nem deve chegar jamais.
Mas não vou pedir nada baby, nada.
Por hoje, ficarei com minhas expectativas furadas, curtindo bode!
Com o gordo e o magro.
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15.6.08


revistas, videos, conversas fiadas...

eu tenho cabelo colorido
um box quebrado
uma porção de contos de fada
uma cortina rasgada
uma impressora quebrada, uma não, duas.
um armário despencando, roupas encardidas na maquina de lavar.
sapato com a fivela quebrada
almofadas sujas
papeizinhos jogadas com telefones esquecidos
revistas molhadas na pia do banheiro
sacolinhas plásticas jogadas na cozinha
um velho pacote de presente jogado no rack
um programa de entrevistas e musicas na madrugada
roda na tv...


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11.6.08


Cão come cão
Eu estou hiper cansada, mas to feliz e to feliz porque estou levando as coisas mais de boa
Sem pensar muito, tipo aquele cliche, do liga o foda-se e seja feliz, saca?!
Entrei numas ai, de achar que eu era uma garota muito legal e que as pessoas deviam ser ou pensar igual a mim.
Bobagem
Lixo
Eu sou eu, e as pessoas são as pessoas.
O melhor é não alimentar expectativas sobre elas.
É lamentável as vezes, mas... A vida é assim!
Acabei de ler um livro fenomenal, chama-se Cão come cão,
e o cara é um ex criminoso de LA, Edward Bunker.
O Tche achou numa livraria da pg, um livro chamado Fábrica de Animais, ficou curioso.
Já que esse é o nome da banda da Fernanda D´Umbra,
mas ai ele foi se envolvendo e leu o livro quase que numa cagada.
E Não parava de ler, comprou outros tres e os devorou, de tanto ele falar, peguei pra ler, Os mais ferozes,
narrado em primeira pessoa, fodástico!
Li ele em uma semana, e boa parte nos intervalos de entradas e saidas de cena, na montagem do Tartufo, no Senac.
Fiquei alucinada e já cai nas graças do Cão come cão, no começo achei menos que o primeiro, mas ele vai te levando pra umas,
Fóda!
Acabou hoje, e eu fiz um longo intervalo pra ler os dois ultimos paragráfos.
Tinha medo do fim, mas acabou.
Tem os outros ainda. Tem mais 2, que o Tche já leu,obvio!
E um que é altamente biográfico.
Pena que ele já é morto, e não tera novos livros, pena mesmo!
É muito louco essas coisas, tem epocas que piro muito em cinema, (90%) das vezes.
As vezes teatro, as vezes cerveja, as vezes literatura....
e Bunker ta na minha lista de um dos melhores, se não mo melhor, escritor de todos os tempos.
Dos que li, pelo menos.

E essa coisa desencana e sem expectativas nas pessoas, é uma coisa meio Troy, meio Max Dembell!


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30.5.08


... la crise...

É. Tem dias que bate uma bad trip.
Hoje estou me sentindo abaixo da média, bem abaixo.
Senti-me por fora dessa coisa chamada roda, da roda que gira pateta, ridícula e idiota, e eu louca pra estar nela, só que fora, totalmente fora.
Sabe, tem coisas que a gente da um puta valor, que é o supra sumo da importância, e a gente queria que as pessoas ao redor enxergassem um pouquinho disso, atravéz daquele sentimento chamado consideração, ou carinho, seja o caralio que for.
Mas elas querem, mas que vc se foda, e no fundo você, ta p;ouço e lixando.
Mas pega, pega um pouquinho na ferida.
Não é porque você acha que ta fazendo uma coisa super bacana, que todos ao seu redor tem que assoviar, gostar e pedir bis, mas precisa passar tão indiferente?
Ah, que se foda!
Eu não sei porque estou pensando nisso, já devia ter me acostumado, ou ter entendido.
Mas
Chega.


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6.5.08



O Bolo que não queria sair...

Eu escrevi um texto enooorme sobre a novela do bolo de cenoura...
Mas essa merda deu pau e eu perdi meu testículo.
Dane-se
O resumo é que fiz um DELICIOSO e RESPEITADO, bolo de cenoura com cobertura de chocolate!
Na terceira tentativa é claro. Demorei a descobrir qual era o problema. Há!
O fermento vencido há alguns meses... Detalhes!
O bolo cresceu, esparramou-se pelo forno, ficou beeem amarelinho, e com uma escaldante e densa calda de chocolate ao leite.
Quem quiser... Ofereço-lhe um pedaço, faço questão!
Custou muito a sair o bolito, mas eu insisti, depois de jogar dois na lata do lixo, mas não sei dividir o primeiro cru, com meus amigos, Flavia e Pinça, peço que ignorem aquele gesto obsceno e venham rápido pra cá, conhecer, o legitimo, Bolo de Cenoura com Chocolate.


Otávio e a s letras, um filme peculiar, para fotografo ver, paulistanos também!


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15.4.08


Uma boa fila!

Olha a coisa está ficando crônica, hoje em dia chamam muitas coisas de teatro.
Eu queria saber porque? Que diabos andam fazendo essas cias de teatro...
Essa sexta vi no Jornal que uma famosa cia ia apresentar uma intervenção em um local desativado há décadas no centro da cidade.
Fiquei interessada, mas não muito, mas hoje no final da aula de dança, um colega, relembrou que hoje seria o ultimo dia da intervenção, que era legal ir, como só tinha que trabalhar e ia ficar sozinha em casa, trabalhando com a tv ligada, fui!
Fiquei 02 hs na fila e quando chegou em três pessoas da minha frente, havia esgotado os ingressos. Arg!
Tudo bem, já havia investido meu tempo praquilo, decidi ficar mais uma hora na fila p ver a segunda sessão.
Mas vale lembrar, que só fiquei pela cia do maravilhoso: “Até o dia em que o cão morreu” do Daniel Galera, se não, muito que provavelmente teria ido embora bem antes.
Depois de todo esse tempo e de 35minutosdeintervenção, eu me pergunto. Porque?
Porque tanta gente brigando por um espaço na fila?
Porque tanta míddia em cima?
Porque tanta burguesia, em torno daquele ambiente sempre passado com tanto desdém e desprezo, aglomerados agora ali?
Porque diabos a gente não ta em casa assistindo coisa melhor?
Tantos dvds a Cincão, na banca em frente.
Olha, acho muito legal eles fazerem desse espaço fechado e esquecido, um espaço itinerante, vivo, mas cá entre nós não podia ser com algo minimamente inteligente?
Pô cara tem certas coisas que não da pra engolir! È esse o novo teatro, o teatro multimídia?
Pro inferno, pro inferno esses caras!
Se não fosse metade do livro do Daniel Galera que li enquanto estava naquela fila idiota, se não fosse o agradabilíssimo tempo frio de outono, putz, não estaria com todo esse bom humor!


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26.3.08


Encaretar? Eu, nunca!
Uma amiga ta feliz da vida porque vai se fantasiar de noiva e fazer um afilhado pra mim, acho legal, sempre quis apadrinhar uma criança. Acho careta, mas fico feliz em deixar de trabalhar um dia, pra assistir o casamento de alguém que sonha em se encaretar.
Ela me disse, que vai se mudar da sua kitnet pra uma casa grande, vai ter filhinho, cães, plantas e vai aprender a dirigir.
Eu não me fantasiei de noiva, mas me ajuntei duas vezes já, às vezes acho que tenho 19 anos, mas lembro que meu filho já está sendo alfabetizado, que tenho um metabolismo mais lento e uma estradinha ai. Então cai a ficha! Putz! Eu voltei pro teatro, depois de seis anos fora, logo, a vida ta passando...
Uma amiga fazendo o caminho meio que contrário, eu nunca quis encaretar, mas eu sempre soube que eu era uma menina pra casar, acho que por saber tanto isso, é que sempre odiei essa idéia.
Eu gosto de ter uma pessoa pra contar todas as coisas loucas que me aconteceu naquele dia, pra desfiar minhas neuroses, pra ouvir música.
Assistir programa tosco na tv e ficar falando disso e daquilo, dormir junto, acordar com um suco no copo, uma massagem nos pés, dividir o mau humor, as empolgações...
Enfim!
Não vou colocar um vestidão branco da rua São Caetano, nem me estressar pelos convidados que não estão sendo bem servidos.
Eu ainda sou uma menina, que faz teatro, tira fotos, e mora com o namorado blasé.
Eu sei que eu já estou meio crescidinha, mas fico feliz em não crescer, em me manter por aqui, sem calda e dia da noiva!
Ainda gosto de mpb, de beattles, de cinema iraniano e nacional, de tomar banho de chuva, comer churros de doce de leite...
Hoje andando pela São Luiz, tive um clik, baby, eu tirei carta há um ano, e não estou dirigindo desde que bati na marginal, já encanei muito com essa história, mas cara, pra que me estressar? Ano passado além de tirar a carta eu voltei a fazer teatro, e to cada vez mais mergulhada nisso, logo, muito que provavelmente sempre serei uma pessoa pobre, fazer teatro, viver de teatro por aqui, é não ter muito dinheiro no bolso, e eu gosto muito de dinheiro, mas acho que eu gosto mais de teatro, circo e cinema.
Então, é melhor desencanar disso mesmo, eu sei lá quando vou ter dinheiro pra comprar um carro, seja lá em que condições, talvez eu nunca compre um carro. Porra eu nasci de família humilde, e com todo o meu cérebro e capacidade incrível de trabalhar, to indo pra esse caminho esquerdista pra caralio, que é ser artista. Mas cara, uma vez artista, sempre artista, ou artista frustrado.
Sou eu! Hoje dancei muitíssimo, e estou cansadamente feliz, ta bom!


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13.3.08


Ritual X Meditação


São meia noite e meia e acabo de chegar em casa de ônibus lotado e um pouco de chuva nas costas.
To ouvindo beatlles e não tirei ainda meus sapatos.
Fiz quatro horas de treinamento circense e caminhei 45 minutos em velocidade alta pela cidade.
Nada mau né?
Se eu não tivesse devorado um cheddar Mc Melt, com fritas e coca cola, no Cinearte!
Mas não é disso que quero falar.
Assisti hoje o clássico dos clássicos de Fellini: Noites de Cabiria.
Com a linda Giuletta Mansina.
Sabia o que esperar, mas ainda assim fui surpreendida pela espontaneidade e a ingenuidade de Cabiria.
Em seguida vimos à história do carinha que larga tudo pra viver uma aventura no Alaska, um andarilho: Natureza Selvagem.
Que tem uma trilha sonora fudidaça de boa e direção do Champim.

A Laura vive falando o quanto o ser humano precisa meditar, esvaziar a mente. Pra começar a fazer as coisas e fazê-las de uma maneira melhor.
Pensei muito nisso na sala de cinema hoje, como ir ao cinema é meditar pra mim. E deve ser pra um monte de gente também.
O lance de meditar vem do ritual. E ir ao cinema é um ritual.
Eu me desloco de onde eu to, pego a fila, abro a bolsa, tiro a carteira, pego o dinheiro, a carteira de estudante e a de identidade e peço a atendente o ingresso, agradeço, pego o troco.
Compro uma garrafa d água, vou ao banheiro lavo as mãos, faço xixi, me seco, lavo as mãos novamente, entrego o ingresso a outro atendente, entro na sala escura, me sento numa poltrona à frente e meio longe da massa. Ajeito minha bolsa na poltrona vizinha, meus pés nas duas poltronas dianteiras (quando está vazio).
A tela sai do escuro e me apresenta as propagandas, as dicas de segurança e os trailers, de alguns filmes que irei assistir em breve e de outros, que não assistirei.
Começa o filme.
Eu me esqueço do calor, da lesão do meu joelho esquerdo, das minhas unhas por fazer, do cansaço, do transito, da conta de telefone, do preço da manga, de problemas conjugais, colegas chatos, saudades...
Sim, eu me esqueço de tudo, esvazio-me pra entrar no universo de Cabiria, e nas aventuras de Alex.

Esse é o meu ritual, a minha meditação, a maneira que tenho de me aquietar.
Até que suba os letreiros.



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9.2.08


sd

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Brincos perdidos e planos mirabolantes...

Planos mirabolantes na minha sala retangular, aqueles que nunca serão realizados.
Restos de sambei na mesa e entre os dentes pedacinhos molhados.
Vídeo cassete quebrado, criança dormindo, conversas sobre orkut, uma loira dormindo no meu sofá.
Um cesto abarrotado de roupas sujas, um bolo excessivamente doce.
Uma criança que chora pela cia do primo.
Um pum fedido no meio da mesa, um porre de tinto.
Uma amiga que adora sexo anal, um irmão queimado de sol, um amigo que a gente não vê a anos, ainda mais bobo que antes...
Um livro sobre o circo jogado na mesa de trabalho... Não lido por falta de espaço físico intelectual, a vontade de ir pra praia, uma grande novidade no mundo da foto, o RAW, a vontade de ser rica, linda, magra e gulosa.
As incertezas, as faltas de arquivo num blog, é a pura falta de passado internalta!
Eu quero os meus arquivos, eu não quero mais perder meus brincos,
Eu perco todos, todos! E não são bijuterias, é de prata, prata!
Eu quero uma dúzia de brincos novos, eu vou comprar por atacado que é mais barato e vou ter vários e vai demorar um tempão pra eu ficar com todos pares desparados, porque serão muitos.
E eu vou ficar mais linda ainda, com minhas pratas!
EEE ba, eba, eba...
E quem sabe um dia, eu pare de perder meus brincos e daqui a 15 anos possa falar pra uma amiga, “Olha querida, adoro esse brinco, ganhei na páscoa do fulano... acredita?”.
E com sorte (ou azar), esse blog ainda exista, e tenha finalmente de volta os seus arquivos, já pensou?


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